Excrementos Poéticos


23/12/2009


A VERES

Não tem ninguém aqui.

No aqui de tanto lograr.

Há nãos recheados,

caminhos entrecortados,

lampejos e leicensos.

Uma tapagem que se transpõe

sem muitas composições.

 

Não tem ninguém aqui.

E também não há lugar.

Mas há nãos transfigurados.

Há caminhos desanimados

que talham o caminhar

entre tantas compilações.

 

Há, apenas.

Porque sempre há de haver.

Mas um haver descabido,

desentendido de existir.

Escrito por Filipe Dias às 18h06
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13/11/2009


Olhos nos olhos,

não acredito em nada do que você diz

nem do que diz pensar

nem no que pensa em falar

nada!

Só me creio em suas hesitações.

 

Olhos nos olhos,

rostos distantes.

Corpos que dialogam

e contradizem tantas elucubrações.

Estáticos.

 

Assim você se negou, meu bem.

E continua a se negar bem mais de porquês.

Carícias ficaram por fazer.

E eu, como deveria, respeitei.

 

Olhos nos olhos,

no meu pensamento vai ficar

a vaga lembrança de uma aventura

bem compartilhada

e intensamente mal relembrada.

 

Às vezes me pego cantando

músicas que esvaziei de você.

E até destroçando

tudo que possa, em mim, te lembrar.

 

Muitas águas rolaram

e não movem mais meu moinho.

Muitas mágoas.

Decidi me banhar em novos lençóis

Para ser feliz e passar muito bem,

obrigado.

Escrito por Filipe Dias às 12h06
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16/10/2009


Pouca coragem talvez me preencha

com faltas e excessos,

entre vindas e idas eternas,

fugas de outrem.  

 

O pouco talvez me ressoe

em detalhes imperceptíveis

em atos destangíveis

em faltas de que faço uso

afim de me preencher.

 

Já o talvez...

Talvez o saiba de temores.

De calores que me desabam

me desperpetuam de pesares

calares e aceitações,

penosas aceitações.

 

Muitos “nãos” desfazem o meu ser.

Meu ser um “eu” de outras formas.

Meu ser em corpos distantes.

Em copos espumantes.

Em roupas que não me cabem.

De “eus” que se negam a mim.

 

São desverdades que me invadem.

Se impõem sem que eu as possa mudar.

Sem que eu as possa calar.

Sem que eu as possa fazerem-se novas.

 

Talvezes, poucos e coragens

são algos que já não sei se quero mudar.

Já não sei se posso.

Porque se desalcançam de mim.

E querem se fazer assim.

Escrito por Filipe Dias às 16h02
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14/10/2009


Mesmo fora de si, ainda que fora de mim.

O que fora, que ainda não fora.

De fora pra dentro, dentre tudo afora.

 

Tudo, talvez, não será.

Porque também isso me disse.

E disse que não foi nada disso,

nem daquilo tudo, daquele todo.

 

Criaste uma borracha de sintonias.

Assim como um imenso muro.

Um muro de nós mal atados,

de nós enterrados pra fora,

num buraco raso e pilado.

 

Uma maré de circunstâncias,

um banho entre equívocos

e negações, muitas negações.

Sim, criaste.

E ainda descria o que não construímos.

 

Uma chuva de medos implenos,

de certezas desconstantes

e constantes hesitações de pensar,

numa correnteza de contradições.

 

O que me disse, não me disse nada.

Eu me ri por dentro, abafado,

me entalhando ao ouvir tuas verdades

vislumbradas em verdades incertas.

 

Não há certezas em partes ambas,

mas em partes dúbias,

numa dubiedade de âmagos.

Ainda que fora de si,

afora de mim, louco!

 

Eu te amo em essência,

mesmo num tempero de dissabores,

descalores, desfavores, desamores.

 

Foi tudo aquilo, sim, sim.

Mas poderá não mais ser.

Porque eu te descriarei

e me recriarei assim,

enquanto você não crescer

para de tudo, todo reaparecer

sem esse bicho de duas cabeças,

e essas hesitações de mins.

Escrito por Filipe Dias às 15h10
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17/07/2009


Você é um doce veneno.
Que vicia e acaricia nossas manias,
agonias, ousadias e loucuras.

Talvez uma cachaça pura.
Uma bebida pura.
Uma amizade pura.

Você é um doce veneno.
Veneno que faz curar.

Escrito por Filipe Dias às 10h20
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16/07/2009


Ao acaso induzido, invisto-me em cheio.

Ao saber invertido, decreto-me em meio.

 

Meio saber de hora, de noite, de vento.

Porque a praia brilha,

ainda que detrás do vidro.

E as sintonias,

essas não se desistem.

 

De quereres e não saberes.

De tempos em muitos tempos.

De tantos não prazeres.

(E prazeres intensos!)

 

Como sou daquele mar,

em onda que vai e vem.

Fazendo questão de arrastar,

me brilhar, me ressentir.

E me sentir mais uma vez.

 

Foi na praia.

A primeira. E a segunda.

 

Uma onda que me descobre,

depois volta a me cobrir.

 

De acasos deduzidos

em sabores invertidos,

em cheios decretados – e atados,

de tudo isso me farei.

 

E me farei o oceano

onde a onda vai pousar.

Escrito por Filipe Dias às 16h14
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19/06/2009


É você quem também me entende,

mesmo em meu louco desentender.

Você é quem também me tem,

mesmo quando, por hora,

não me tenho tanto assim.

 

Você se voa e me leva.

Até a relva transpiraria

da não tensão

só em nos ver passar.

 

Meu te gostar conspira em ti,

independente de qualquer certeza.

É um cultivar calado.

Ainda que calado a ti

em cantar.

 

É um sentar descalado,

um ousar desnudado

e um saliente gastar,

de beber-nos sem pausa.

 

E falo redizendo.

E digo refalando.

 

Você não estava em meu plano

de buscares.

Mas foi logo assim

que eu me tive em você.

Tive, e vou me tendo,

me conhecendo de renotar.

 

O quero já não basta de então.

Porque eu te sei sem aflições.

E te encontro não só do estar,

mas nos provares.

Escrito por Filipe Dias às 15h40
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11/06/2009


Eu não queria te perder.

Mas se na vida a gente perde e ganha,

ganha e perde,

eu não queria te perder. 

Não antes de te ganhar.

Chega de paradigmatizar.

Não importa ganhar ou perder,

e sim ser e estar.

Estar presente para perder

e inteiro para ganhar.

O bom da vida é se permitir.

Eu estou pronto para me perder

ao te ganhar.

E quero voar.

Vem comigo.

 Perdendo ou ganhando,

a gente vai tentando amar.

Escrito por Filipe Dias às 20h44
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09/06/2009


Não foi só um recaminhar, foi um estado de se trocar.

Mas não só em olhares ou palavras a silabar.

Foi, também, um estado de não se estar.

Eu não me continha, nem sabia o que te contar.

Mas o que é que tem, né? Você também não...

Eu ouvia tuas palavras, mas não processava as idéias.

Ainda assim, nos entendíamos.

Eu estava a sair, é verdade.

Agora, contudo, espero o ficar.

Embora ainda não saiba se o melhor é andar ou voar,

pular, eu já pulei (dentro, e com os dois pés!).

O que fazer? Eu espero.

E sinto que já estou no ar.

No ar.

Ar...

Sabia que tem um tempão que eu não tomo açaí?

Escrito por Filipe Dias às 21h29
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31/05/2009


Ainda transpiro teu afago.

Ainda expiro aquele trago.

Mas teu traço já não tem tanta nitidez.

E a timidez não me deixa te lembrar.

Porquanto brinco de me burlar,

você não me ouve a te escutar.

Lá tem outra melodia,

sem o som do meu palpitar.

Te apagaria em mim.

Mas poetizo essa ausência

para sentir a experiência

do ter tentado não tentar.

Você saberia que era eu

se preferisse se escutar.

E o que eu não trago mais de ti,

não trago só por tragar.

Escrito por Filipe Dias às 11h10
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08/03/2009


 

E foi suor, e foi suspiro.

E foi tanta secura, e foi retiro.

Tudo entrando e saindo do meu peito

na ardência do diz: “paro”.

E me disparava em mim.

Custou.

Eu sei o quanto paguei

e ainda restam prestações.

Juros altos em paixão recolhida,

em verdade reprimida.

Dilacerei meu íntimo

enfiando, pela boca, minha mão,

 ferroando, a unhas, entranhas.

Tentei me retirar-te.

Dor maior, era te manter aqui.

Custou.

E ainda custa-me cada pingo em i.

Agora, sabendo prováveis chegadas,

já não sei se quero novas partidas.

Há uma dívida de dor mal dividida,

perdida dentro, em mim.

 

Escrito por Filipe Dias às 21h47
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03/02/2009


 

Espreme-se para exprimir pouca coragem.

Suprime-se para imprimir autoinverdades.

Infringe-se para lapidar fantasias.

Aborta-se para se lavar aos passos.

 

A expressão voa,

mas não entoa belas canções.

Do fluido de uma voz

saem tons em desafino.

Do desamarrar dos nós

desatinos orientam outras notas.

 

O porquê de tortos caminhos

nem a desventura adivinha.

Mas horta não se irriga em canções

nem barriga morta afina corpo vazio.

Tem que ter muito testículo

pra não romper a película

que outrora chamaram de vida,

boa vida.

 

Se a boca não começa a assobiar,

o ouvido não captará novos sons.

Porque o vento, agora, parou.

Assim como muitas vibrações.

 

Escrito por Filipe Dias às 20h30
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21/01/2009


 

 

 

 

E ele estava louco para amar.

Quem sabe, até, pela primeira vez.

Porque ele também estava louco.

Louco para sonhar realidades mais paupáveis.

E louco!, por loucuras mais amenas.

 

Mas ele não era seu próprio senhor.

 

=S

 

Nele, só o temor reinava.

Por que insistia tanto em se aceitar diferente?

Seria ele, quem sabe, um meninão inocente

ou mesmo um bebezão carente...

Bom, eu acho que eram issos.

 

Era preciso acordar daquela insônia!

Será que esse temor, lá em fundo,

não deveria se tornar uma vergonha?

 

Mas ele insistia tanto em ser diferente...

É, podia, então, fazer de conta,

como um bom meninão, que o homem,

a ser o que era, deveria ressaquiar-se também.

Tentar não se entender para tanto querer de mundo.

 

"Sem reflexões"?

Ah, sim...

ele estava muito louco para amar.

É, bebezão...

pena que a sua mamadeira não tem interruptor.

 

=(

 

 

Escrito por Filipe Dias às 10h56
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20/01/2009


Bom Jesus dos Pobres/BA
"Perdoe-me".
Diz um atoa
ao que lhe soaria por direito:
um coração entortado
pelos melindres da vida.
 
Tem que ser forte
para superar conceitos.
Tem que ter sorte
para apertar a mão contrária
sem se torcer demais.
 
Os arranhões
fazem parte das escolhas
e cicatrizes
tatuam muitas fraquezas.
 
Éramos dois.
Mas ainda podemos.
Creio-me em nós.
Ainda podemos.
 
Lancei-me ao Léu.
 
Seremos de novo
um meio dia em algum verão?
O futuro a dois pertence.
Espero o som de novos ventos.
Ou será que o destino
errou alguns graus?

Escrito por Filipe Dias às 08h37
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07/01/2009


São Felipe

 

Lembro-me que as horas pristinas, sigulares,

envoltas em ares que poderiam se bucolizar,

amarraram-me e amaram-me muito mais forte

naquilo que eu já nem mais queria confiar.

 

Depois, contudo, de tantos entretantos

ruídos de hesitações e inseguranças implenas,

ouço um novo contar de aves, de ases, olhos

e o mudo cantar de tantas poucas vezes.

 

Fico a lembrar do que ainda vou viver.

 

Instigo-me em braços melindrosos,

laços, frágeis, intensos, promissores...

itimamente dúbios entre tantos desejos que,

presos, soltar-se-ão em uma roupa de ar.

 

Entendo que passos precisam se subescreverem.

Escrito por Filipe Dias às 10h18
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