Mesmo fora de si, ainda que fora de mim.
O que fora, que ainda não fora.
De fora pra dentro, dentre tudo afora.
Tudo, talvez, não será.
Porque também isso me disse.
E disse que não foi nada disso,
nem daquilo tudo, daquele todo.
Criaste uma borracha de sintonias.
Assim como um imenso muro.
Um muro de nós mal atados,
de nós enterrados pra fora,
num buraco raso e pilado.
Uma maré de circunstâncias,
um banho entre equívocos
e negações, muitas negações.
Sim, criaste.
E ainda descria o que não construímos.
Uma chuva de medos implenos,
de certezas desconstantes
e constantes hesitações de pensar,
numa correnteza de contradições.
O que me disse, não me disse nada.
Eu me ri por dentro, abafado,
me entalhando ao ouvir tuas verdades
vislumbradas em verdades incertas.
Não há certezas em partes ambas,
mas em partes dúbias,
numa dubiedade de âmagos.
Ainda que fora de si,
afora de mim, louco!
Eu te amo em essência,
mesmo num tempero de dissabores,
descalores, desfavores, desamores.
Foi tudo aquilo, sim, sim.
Mas poderá não mais ser.
Porque eu te descriarei
e me recriarei assim,
enquanto você não crescer
para de tudo, todo reaparecer
sem esse bicho de duas cabeças,
e essas hesitações de mins.